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14 de março de 2013

Tiago Patrício - Trás-os-Montes


Assim como há quem diga que quando se morre não se vai logo para a morte, ponho-me para aqui a imaginar quais terão sido os sítios por onde andámos antes de sabermos que existíamos.

Só a partir do momento em que nos lembramos dela é que podemos dizer quando começa a nossa infância. Aquilo que não recordamos não existe. Por isso é tão significativo o que a nossa memória retém desse período – a surpresa, a verdade dos sentidos, a liberdade do olhar.

Pareceu-me que este romance tinha que ver com estas sensações. Lembro-me de uma impressão semelhante me ter ficado de uma outra história, que como esta, resolvi partilhar com gente de quem gostava – Panait Istrati, Os Cardos de Baragan, que redescubro num esforço googlíco de memória.

Ora, ao ler Trás- os-Montes, é essa sensação que me prende, a mesma de quando li Panait Istrati, num tempo em que nem sabia onde ficava a Roménia. De ambos me ficam as infâncias de sítios fechados, lugares que ninguém conhece, lugares que imagino no meio de montes e por detrás de muros que se abrem para mundos brilhantes, por caminhos de infâncias à beira da terra, de segredos que se escondem dentro dela e nos ensinam a viver.

 A crueldade infantil, a caça aos pássaros, a vergonha do corpo da mãe de Teodoro, as regras estritas de costumes em que os irmãos controlam as irmãs, o seu bom nome. As missas, as raparigas mais velhas com os cestos de ofertório em roupas de cabaré, o pecado, as revistas com mulheres, tenho de pecar, tenho de pecar senão rebento, diz Edgar.

Trás-os-Montes, um livro aonde apetece voltar, como a todas as infâncias.

M.ª João Carrilho (Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

4 de março de 2013

Tiago Patrício, Trás-os-montes

Passado em Trás-os-Montes, num mundo rural muito marcado pelas características culturais e religiosas. É uma viagem do autor pelo universo da infância e da adolescência, pelo fascínio do que é proibido (revistas, cigarros, violência). Nunca se chega a perceber exactamente o que acontece aos personagens principais (ainda que se adivinhe, pelo menos para o principal) que seja trágico. Gosto da narrativa concisa e sem excessos.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras

19 de fevereiro de 2013

Tiago Patrício, Trás-os- Montes


Escrita normal mas por vezes repetitiva e com demasiada descrição de lugares comuns.
Usa uma linguagem adequada às situações e através do retrato de cada personagem e seu relacionamento com o Teodoro procura “ construir” a personalidade deste personagem central para justificar o desfecho final. Coloca-se em relevo as traquinices e crueldade juvenil e à crueldade do pai do Edgar. O enredo é pobre e globalmente parece que estamos perante um mosaico sem surpresas nem grandeza.
Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés


12 de fevereiro de 2013

Tiago Patrício, Trás-os-Montes


A história gira em torno de quatro crianças que vivem numa aldeia em forma de cruz gamada (suástica). Teodoro, Edgar, Óscar e Raquel são as únicas personagens da história dignos de um nome e são crianças em que cada uma vive numa família cuja estrutura foi abalada ou pela emigração dos pais (Teodoro), fuga da mãe (Edgar) ou morte do pai (Óscar e Raquel). A faixa etária das crianças retratadas situa-se entre o fim da infância e início da adolescência, considerado pelo autor como aquela fase que é O Cair da Noite, que era o título pretendido pelo autor para esta obra. Atendendo à faixa etária dos protagonistas e à liberdade típica das crianças que vivem no meio rural, é natural que a história verse sobre algumas diabruras engendradas pelas crianças. Desde o início que ensombra a história o que teriam provocado ao Miúdo, que é uma criança muda filha de pastores. No final da história é revelado o sucedido e é menos dramático do que a mente da maioria dos leitores suporia. Na história é dado um especial enfoque em Teodoro, o excelente aluno que decorava tudo mas tinha muita dificuldade em colocar em prática, ser criativo, oportuno, carismático e líder.
Talvez por ter sido galardoado com o Prémio literário revelação Agustina Bessa-Luís e pelo título abrangente da antiga província, fazia-me esperar uma obra mais característica e identitária da região, pois a história é sobre quatro crianças e respetivas famílias e podia decorrer em qualquer aldeia do país.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

4 de fevereiro de 2013

Tiago Patrício, Trás-os-Montes

Livro bem escrito, de escrita fluída e sóbria que, com simplicidade, nos vai revalando o mundo de 4 crianças a viver a transição para a adolescência, numa aldeia de Trás-os-Montes. Esse mundo complexo envolve a aldeia, as familias, os amigos, a escola... e as vivências / experiências das crianças, individualmente e na sua relação com o que os rodeia e influência...
Romance rico de siginifcados, com entrelinhas bem delineado, escrito com sensibilidade e conhecimento muito interessante!
Maria José Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

31 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Trás-os-Montes" de Tiago Patrício

Tiago Patrício - Trás-os-Montes

Numa escrita simples, directa, o escritor apresenta o renascer das cinzas de uma juventude de aldeia; crianças aprendiam a vida naqueles anos onde a escolaridade era reduzida e o convívio muito diminuto.


Augusto Freire Martins
(Grupo de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras)

16 de outubro de 2012