6 de março de 2013

Luís Francsico, A Vida passou por aqui


O autor adopta um tipo de escrita que nos prende pois sente-se uma sensação de continuidade entre cada “história” das diferentes personagens. Não há um uso de linguagem mais pobre e na generalidade mantêm-se dentro de parâmetros aceitáveis e normais. O entrelaçar de histórias de vida de cada personagem leva o leitor a vivenciar o dia-a-dia de uma cidade em termos sociais. As histórias são simples mas mostram o que normalmente nos “passa ao lado” por termos outras vidas na nossa vida.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

5 de março de 2013

Alexandra Lucas Coelho, E a Noite Roda


A leitura por dever de ofício tem uma escrita agradável e uma linguagem apropriada a cada situação vivida/ apresentada.
O enredo é o habitual nestas histórias, não havendo muito mistério, apesar de manter-se o suspense nos romances de amor quase se adivinhando o que pode vir a seguir.
A componente mais interessante, embora em contexto de romance é a apresentação de uma imagem num período histórico ainda em curso que é o conflito israelo/palestiniano seguindo a vida da autora.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

4 de março de 2013

Tiago Patrício, Trás-os-montes

Passado em Trás-os-Montes, num mundo rural muito marcado pelas características culturais e religiosas. É uma viagem do autor pelo universo da infância e da adolescência, pelo fascínio do que é proibido (revistas, cigarros, violência). Nunca se chega a perceber exactamente o que acontece aos personagens principais (ainda que se adivinhe, pelo menos para o principal) que seja trágico. Gosto da narrativa concisa e sem excessos.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras

3 de março de 2013

António Manuel Marques, A imperfeição do presépio


O autor tem um tipo de escrita agradável, sem rodeios e floreados. Usa uma linguagem adequada não caindo no facilitismo popularucho mesmo quando descreve cenas mais duras. Destaca-se também o uso de termos populares adequados ao estracto populacional retratado. Encontramos aqui um retrato individual e colectivo percorrendo a sociedade do século XX e a força de uma mulher/mãe/avó como amiga e integradora em diferentes comunidades, passando pela evolução da sociedade entre 1930/1974.



Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

2 de março de 2013

Bruno Margo, Sandokan & Bakunine

Romance bastante diferente dos que temos lido no grupo de leitores. A Narrativa desenvolve-se numa constante intereseção entre o real e o fictício, numa torrente de pormenores inimagináveis, com recurso a extensas e numerosas notas de rodapé, da autoria do próprio romancista, mas apresentado como se de um elemento exterior ao romance se tratasse, notas essas que nos vão fornecendo pistas sobre o próprio desenvolvimento da narrativa e sobretudo, sobre a estrutura adotada na obra.
Muito original e com uma imaginação prodigiosa, Bruno Margo consegue construir uma obra complexa mas fascinante e tudo isto, como diria Saramago "sem nunca perder o pé".


Maria Luzia Pacheco
(Grupo de Leitores Biblioteca Municipal de Oeiras)

João Rebocho Pais - O intrínseco de Manolo


João Rebocho Pais nos apresenta em sonhos o modo de viver a vida. O seu intrínseco é bondade escondida, é quedar-se sentado, enquanto em silêncio cantam, bebem e dançam. A magia dos sons, o gorjeio dos pássaros, a leveza das folhas, o calor da terra, nos leva a sonhar que uma árvore nos serve de companhia nos momentos de fragilidade.

Augusto Freire Martins (Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

1 de março de 2013

O eleito de 2012



No ano passado Nuno Carmaneiro foi o escritor escolhido dos Grupos de Leitores de Oeiras para representar Portugal no Festival du Premier Roman.

E este ano quem será o escolhido?

28 de fevereiro de 2013

João Ricardo Pedro - O teu rosto será o último


Nos encontros da vida, João Ricardo Pedro cimenta, numa escrita escorreita e arejada, os desencontros de vivências difíceis na procura de momentos de paz e apaziguamento.
Talentos precoces nem sempre encontram o terreno arado, para aí desenvolverem os seus dotes e construírem o futuro. Quando não acarinhados e compreendidos, perdem-se na busca do equilíbrio e da aceitação

Augusto Freire Martins (Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

27 de fevereiro de 2013

António Manuel Marques - A imperfeição do presépio


É uma revisitação do passado. Ir ao fundo do mundo quando ainda o pastorio e as ceifas dos cereais eram o pão de cada ganho desde o nascer ao pôr do sol.
A vida, naqueles tempos, ainda era mais imperfeita, do que é hoje, com as migrações para as grandes cidades.

Augusto Freire Martins (Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

26 de fevereiro de 2013

Selecção portuguesa para o Festival do Primeiro Romance de Chambéry 2013


Os Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras e Algés já seleccionaram o seu autor/livro favorito no âmbito da selecção portuguesa para o Festival do Primeiro Romance de 2013.

De todos os primeiros romances publicados, os nossos Grupos de Leitores seleccionaram 11 títulos.

Assim, a pré-selecção portuguesa para a edição de 2013 do Festival do Primeiro Romance é constituída por estes 11 livros:

Alexandra Lucas Coelho - E a noite roda
Ana Miranda - O Diabo é um homem bom
Ana Sofia Fonseca - Como carne em pedra quente
António Manuel Marques - A imperfeição do presépio
Bruno Margo - Sandokan e Bakunine
Carla M. Soares - Alma Rebelde
Luís Francisco - A vida passou por aqui
João Bouza da Costa - Travessa d'Abençoada
João Rebocho País - O intrínseco de Manolo
João Ricardo Pedro - O teu rosto será o último
Tiago Patrício - Trás-os-Montes

Quem terá sido o escolhido! Mais notícias em breve!

João Ricardo Pedro - O teu rosto será o último



Livro bem escrito. Narrativa bem construída e bem contada, com uma linha condutora de mistério, que prende o leitor desde o princípio e não desaparece no final.
A história não é fácil nem directa - deambula por pequenos contos que, em conjunto, se encaixam para construir o romance. Só que a montagem do "puzzle" exige esforço por parte do leitor: estar atento a datas e simbolismos, reler passagens, ligar factos e tempos. Aparentemente desligados.
No final refaz-se o puzzle, mas descobre-se que faltam peças. Trata-se de peças-chave e ficamos a saber que foram retiradas por uma das personagens, com a intenção de omitir informações... talvez esconder um segredo...
Porque razão terá o avô retirado intencionalmente essa informação?
É isso que Duarte promete empenhar-se em descobrir - mas será já fora do olhar curioso do leitor!
Ao leitor são deixadas perguntas, muitas perguntas...
Vale a pena ler!

M. Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

25 de fevereiro de 2013

Ana Miranda, O Diabo é um homem bom



Livro interessante no que respeita ao conteúdo, requer uma profunda revisão de texto, na procura de uma escrita mas depurada, bem pontuada e liberta de constantes erros e lapsos gráficos que muito perturbaram a leitura.
O livro é sobre o conceito de bem e de mal - com ênfase para o mal, em diferentes dimensões - e o modo como os extremos estão inseparavelmente ligados. O assunto, actual, é tratado com originalidade e conhecimento, propocionalmente passagens para ler, reter e pesnar. É lamentalvem que a Editora Chiado tenha publicado este livro e eventualmente outros, sem atender os cuidados minimos de revisão de texto (não é referido o revisor), o que constitui uma forte limitação para representar a nossa escrita onde quer que seja. E acarreta prejuízo para a (os) autora (es). O que, repito é uma pena!
O títutlo está bem posto! E assim é.


M Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

João Ricardo Pedro, O teu rosto será o último


Narrativa que conta a história duma família, através das memórias e duma forma não linear. Diversidade de registos em que o cómico e o dramático são trabalhados com algum cuidado. Uso excessivo de calão.


Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

Luís Francisco - A vida passou por aqui





Vidas descritas sobretudo a partir de momentos que envolvem sentimentos/emoções fortes - dor, raiva, tristeza, decepção, medo, insegurança (muita). Personagens muito solitárias.
O autor passa-nos muito bem "estados de alma".
Curiosamente, parecendo contradizer o que disse, prespassa na leitura uma serenidade envolvente que terà(?) que ver com
uma aceitação da vida, porque é vida, porque somos assim... e terà(?) que ver com a personalidade do autor.
Parece-me que a obra parte de uma construção esquemática de personagens e cruzamentos, que lhe retira aquela FLUIDEZ na continuidade da leitura, de que gosto tanto.

Rosa Aquino
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

23 de fevereiro de 2013

Alexandra Lucas Coelho - E noite roda



Uma escrita que evidência, do princípio ao fim, a jornaista que a autora á. Descreve locais, acontecimentos e até sentimentos, com uma linguagem "limpa" (fixa o "essencial").
Muito interessante a evolução da correspondência entre Ana e Léon - há um acréscimo de impressividade, de perturbações.
Feliz o recurso a poetas - Kavafis, Valéry Larbaud (de quem gosto especialmente), Baudelaire...
A ler e reler.

Rosa Aquino
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

22 de fevereiro de 2013

Alexandra Lucas Coelho - E a noite ro



Porquê este título?
Um retrato de dois amantes que não se chegam a conhecer? Duma actualidade recente, onde senti estar por fora e me deixou
com um sentimento de culpa pelas descrições mencionadas. Escrita bem construída, por vezes repetitiva, notando-se que a autora é essencialemente jornalista muito mais do que romancista. Não o elegeria para representar o país, como escritora
de romance. Achei cansativos, todos aqueles sms e mails, mas claro, quando o SEXO é o fulcro destes encontros...

Maria Aguiar
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

21 de fevereiro de 2013

João Bouza da Costa, Travessa D’ Abençoada


Falta consistência para tecer uma interligação quanto às diferentes “vidas” e situações que descreve.
Usa com alguma frequência expressões em alemão e não só para as quais não apresenta correspondência em português.
O resumo na contracapa diz o essencial, o resto, no livro são pormenores por vezes desconexos. Li com sacrifício e só no final (p. 266/276) se encontra uma reflexão interessante.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

20 de fevereiro de 2013

Carla M. Soares, Alma Rebelde


A escrita é simples, de fácil leitura mas apresentando com detalhe certos passos e estados, etc.
A linguagem usada mantém um registo adequado mesmo nas situações mais quentes sem deixar de dar uma imagem da mensagem desejada.
A história é simples e pretende retratar a vida das meninas da sociedade numa época dos seus sonhos e pesadelos dos negócios, casamentos o que origina várias situações uma feliz outras menos.


Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

19 de fevereiro de 2013

Tiago Patrício, Trás-os- Montes


Escrita normal mas por vezes repetitiva e com demasiada descrição de lugares comuns.
Usa uma linguagem adequada às situações e através do retrato de cada personagem e seu relacionamento com o Teodoro procura “ construir” a personalidade deste personagem central para justificar o desfecho final. Coloca-se em relevo as traquinices e crueldade juvenil e à crueldade do pai do Edgar. O enredo é pobre e globalmente parece que estamos perante um mosaico sem surpresas nem grandeza.
Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés


18 de fevereiro de 2013

João Rebocho Pais, O Íntrinseco de Manolo


Escrita com humor mas usando e abusando da apresentação de descrições de um romance de cordel de baixo nível.
A linguagem é adequada às situações que apresenta transmitindo imagens e continuidade para o enredo mas perde-se na linguagem de baixo nível sem necessidade, descambando para cenas íntimas que não trazem valor ao texto nem à história.
O livro só tem real interesse no princípio (até à pág. 46) e no final a partir da página 135. Podia ter sido um bom livro se mantivesse um registo mais equilibrado.

Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés