12 de fevereiro de 2013

João Ricardo Pedro, O Teu Rosto Será o Último


Na minha opinião a circunstância de os factos não serem contados por ordem cronológica, as personagem "apresentadas" aos poucos, constantemente intercaladas umas nas outras faz com que a história seja um pouco confusa. Obviamente que parte da mestria do livro reside aí, na forma como o autor permite que o leitor vá desenrolando o novelo da história, não obstante ficarem algumas coisas por contar, nomeadamente o crime cometido por uma das personagens.
Julgo que o autor se apoiou bastante nos pormenores, frequentemente somos embalados por eles, nomeadamente no capítulo (A mãe e o fim da União Soviética) em que no final uma personagem revela à família que tem um cancro e que vai ser internada no dia seguinte. Esse capítulo consiste um relato dos pequenos actos daquela personagem naquele dia, designadamente da descrição do que comprou no supermercado, quantas gramas de feijão encarnado, de fiambre, de queijo flamengo, de café... E é o próprio autor que nas palavras de uma personagem diz que "os pormenores são uma espécie de vírus. De bactéria. Altamente contagiosos".
Considerei que toda a história estava dominada pelas infelicidades da vida, parece que todas as personagens vivem dominadas pela empatia, resultado de acontecimentos maus que lhes aconteceram. Os avós maternos de Duarte que morreram de forma trágica, o pai que se suicida com a arma do avó, Duarte que vê o seu dom para o piano como algo que o vai consumir e dominar, Duarte que disfarça uma mancha de esperma no sofá com sangue!
Julgo que uma das maiores virtudes do livro é nos deixar a todos ansiosos a olhar para os quadros de Brueghel em busca da "mulher que caminhava sobre duas muletas e cuja perna direita terminava numa ligadura, um pouco abaixo do joelho." (pág. 157) que ao que consta pertence ao quadro "Luta entre o carnaval e a quaresma".
Para finalizar, julgo que o livro é interessante, com algumas cenas marcantes, um pouco confuso mas também é aí que reside o desafio.
Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Algés

11 de fevereiro de 2013

Ana Miranda, O Diabo é um homem bom

A sua escrita, a pena corre como água nos ribeiros. Mantêm o leitor preso, pela sua escrita leve e saborosa, desde o principio até ao fim.
Aflora as desavenças intestinais de uma sociedade em contínua evolução, onde as elites se servem da democracia para o enriquecimento pessoal, dando origem ao territorismo e aos distúrbios dentro do sistema democrático.
É um livro que pode vir a merecer fugurar como tema de um filme.

Augusto Freire Martins
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

10 de fevereiro de 2013

António Manuel Marques, A imperfeição do presépio

Um pequeno "fresco" da história quotidiana da sociedade portuguesa do século XX através das memórias de uma mulher do interior rural. Um retrato social paradigmático daquilo que foi a vida de tantas famílias durante o Estado Novo até aos dias de liberdade. Uma mulher do povo, forte, resiliente, "dura", decidida e cuja força interior (e física) é o motor e o pilar sólido da sua família. A protagonista tem um discurso intimista e através ela é construída toda a narrativa. As memórias fotográficas que vai discorrendo durante o livro evocam e focam todo esse passado: a dureza da vida interior rural, a migração para a capital, o sacamento, a miséria, a fome e as más condições de vida nos subúrbios da cidade, o trabalho ârduao do dia-a-dia, avida em ditadura e a política, a guerra colonial, a diferença entre classes e as desigualidades ociais, a vida em familia e a vida conjugal e as relações familiares.
A escrita é fluída, as frases são curtas mas com um peso de signficado muito forte, encerrando de uma maneira pragmática o pensamento do autor, contribuindo para o desenrolar da "estória" e tornando a leitura bastante agradavel e ritmada. Um livro interessante.


José Luís Sousa
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

9 de fevereiro de 2013

Alexandra Lucas Coelho, E a noite Roda

Escrito numa linguagem joranlística, muito sucinta, enquadra um amor agitado que percorre vários cenários, quer de guerra como ilidio. Há passagens muito poéticas da perspectiva feminina, fazendo o balanço das perdas sofridas, dos encontros bem sucedidos e felizes e de como o passar do tempo parece não esclarecer as dúvidas de ambos. O elemento masculino debate-se continuamente para decidir viver este amor ou tentar esquecê-lo, sem sucesso

Sofia
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

8 de fevereiro de 2013

João Ricardo Pedro, O teu rosto será último

Alguém se referiu ao escritor, apelindando-o de "machão"... Escrita ágil com parágrafos curtas, dando protagonismo aos personagens, o que entusiasma o leitor. Será que foi a intenção do autor? Gostaria de ler outros trabalhos. Dada a minha longa vivência, achei interssante as referências (anos 40/50) como ex. Jesus Correia - as canetas de tinta permanente. O final (192/193) é quase teleráfico; mas estão lá as vidas de 3 gerações.
Acho que poderia representar sem eufemismo, o nosso pais. Os diálogos são expontâneos (pág.32-68).

Maria Aguiar
(Grupos de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

7 de fevereiro de 2013

Ana sofia Fonseca, Como Carne em Pedra Quente

Este romance não é do meu agrado, talvez por não o ter entendido. Tem frases interessantes e bem construídas, mas nao o recomendaria para o Festival de Chambery.


Maria Aguiar
(Grupo de Leitores da Biblitoeca Municipal de Oeiras)

6 de fevereiro de 2013

Bruno Margo, Sandonkan e Bakunine

Uam escrita bem interessante pela invulgariedade das "estóras" contadas. Personagens distintas, bem elaboradas. As notas de rodapé são bastante explicitas e elucidativas. Sobre a capa achei-a de muito bom gosto.

Maria Aguiar
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

5 de fevereiro de 2013

João Bouza da Costa, A Travessa d'Abençoada

Um romance surpreendente pelos diferentes cambiantes, quer nos contextos, quer na linguagem utilizada nas diferentes descrições e narrativas. O narrador é um observador atento que vai dando conta do que vai acontecendo na Travessa - o dia a dia de vivências e sobrevivências dos diferentes moradores: desde os mais populares e até grotescos até alguns de proveniência social ou superior e culturalmente mais evoluídos, mas não menos complexos. A linguagem utilizada serve as diferentes realidade: popular, calão contrastando com descrições bem poéticas.
Irene Cardona
(Grupos de leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

4 de fevereiro de 2013

Tiago Patrício, Trás-os-Montes

Livro bem escrito, de escrita fluída e sóbria que, com simplicidade, nos vai revalando o mundo de 4 crianças a viver a transição para a adolescência, numa aldeia de Trás-os-Montes. Esse mundo complexo envolve a aldeia, as familias, os amigos, a escola... e as vivências / experiências das crianças, individualmente e na sua relação com o que os rodeia e influência...
Romance rico de siginifcados, com entrelinhas bem delineado, escrito com sensibilidade e conhecimento muito interessante!
Maria José Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

2 de fevereiro de 2013

Opinião sobre "A imperfeição do presépio" de António Manuel Marques


Romance bem escrito e bem contado. Narrado na 1ª pessoa por uma mulher, mãe de família, já com alguma idade. Esta mulher olha fotografias, que tem guardadas numa caixa, e vai recordando - primeiro, o dia do casamento, quando aparece fotografada ao lado da cunhada, porque o marido não gostava de ser fotografado; depois, outras imagens de outros momentos da vida: os filhos, dois dos quais combateram no Ultramar, os netos...
A omissão do noivo na imagem do casamento é o prenúncio da futura omissão do marido na vida da família, cujo pilar será sempre esta mulher. É ela quem escolhe o seu homem, por ser o mais bonito da aldeia, e é ela quem vai aturar-lhe o vício do álcool, a leveza da mão e o distanciamento no apoio e na educação dos filhos.
Vieram de uma aldeia ribatejana para uma barraca em Benfica, onde ela trabalhava a dias e geria a vida com determinação e uma tocante simplicidade que, nem por isso deixava de lado o saber, a eficiência, a honestidade. Esta mulher, cujo nome não sabemos, nem é preciso, representa as muitas mulheres de uma classe baixa que, numa dada época - ainda actual - fazem rolar a vida, a familia, a sociedade e o mundo. Uma mulher que enfrenta uma vida dura - muito dura - sozinha, sem se queixar e sem sombra de revolta - antes com natural aceitação e ternura pelo que a rodeia.
Esta mulher, que sabemos forte, desperta-nos, no entanto, uma carinho imenso, uma vontade de a sentar ao colo e de a abraçar, como se de uma criança se tratasse. Porque, com a natural simplicidadee das almas grandes, soube viver em dádiva, sem consciência de que cada dia que passava era mais um da sua epopeia.
Esta mulher, com a dimensão humana das figuras do presépio, não conseguiu nunca ver o seu próprio presépio completo - por uma razão ou outra faltava-lhe sempre uma peça.
O livro é escrito por um homem. Que sabe escrever. Que sabe das realidades sociais. Que sabe de mulheres. De algumas mulheres.Muito bom! 

M. Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

1 de fevereiro de 2013

Opinião sobre Sandokan & Bakunine de Bruno Margo

Sobre Sandokan & Bakunine de Bruno Margo, José Mário Silva escreveu:

"Este é um livro sem medo de se questionar, consciente tanto dos seus rasgos como das suas imperfeições. Tivessem todos a coragem de se olhar, assim, ao espelho."

Pode ler o texto na íntegra no blogue  Bibliotecário de Babel.

31 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Trás-os-Montes" de Tiago Patrício

Tiago Patrício - Trás-os-Montes

Numa escrita simples, directa, o escritor apresenta o renascer das cinzas de uma juventude de aldeia; crianças aprendiam a vida naqueles anos onde a escolaridade era reduzida e o convívio muito diminuto.


Augusto Freire Martins
(Grupo de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras)

29 de janeiro de 2013

Opinião sobre "A vida passou por aqui" de Luís Francisco


História bem contada, com uma estrutura interessante, onde cada personagem aparece individualizada, a falar, na 1ª pessoa, da sua vida e dos seus dramas - assim se vão dando a conhecer, ao mesmo tempo que vão surgindo os fios que as ligam e que constroem a trama narrativa.
o autor escreve em bom português, descreve bem circunstâncias e emoções, sabe criar e manter o interesse do leitor. A escrita é abundante em palavrões, que surgem aplicados com naturalidade e segundo a fluência discursiva (embora mais suave, faz lembrar a escrita de Bukowski). Romance de carácter realista, que vale a pena ler.

M. Matos
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

28 de janeiro de 2013

Opinião sobre "O intrínseco de Manolo" de João Rebocho Pais


O autor utiliza um léxico, expressões e frases com uma estrutura pouco habitual, criando um "estilo" de escrita a que nos habituamos e que resulta muito bem.
É curiosa a forma como o narrador/observador, aproximando-se ou afastando-se das personagens/acontecimentos, nos convida a participar.
Das várias personagens de que J.R.P caracteriza com perícia aspectos que as tornam "atractivas" (em sentidos variados), saliento Marília (e a sua "Liberdade de divagação"), Maria ("Livre"), Manolo ("rude" e sensível, que respeita a sua livre Maria) e a Azinheira (a amiga que nunca falha). A ler e desfrutar.

Rosa Aquino
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

27 de janeiro de 2013

Opinião sobre "O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro


Bom entretenimento, com criatividade, este livro em puzzle obriga-nos a estar atentos para juntar as peças. Divertido e triste, brusco, por vezes, episódios originais... não sendo uma obra prima, lê-se facilmente. O uso da repetição torna-se cansativo como forma de contar (é uma questão de doses). Os palavrões conferem um tom pitoresco, mas podem surgir despropositadamente. Senti que a originalidade , curiosidade e criatividade, foram diminuindo gradualmente até deixar-me com um final desinteressante.

Sofia F.  
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

25 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Travessa d´Abençoada" de João Bouza da Costa


Um história limitada no espaço, a Travessa, e no tempo (um dia) relatando as vivências dos seus habitantes e ocasionais passantes e até utentes de um hospital psiquiátrico das proximidades, fragmentos díspares que o autor consegue entrelaçar numa narrativa que prende o leitor, não só pelo realismo e actualidade das situações, como pela sua forma de escrita, com um vocabulário rico e depurado.
Talvez apenas exagere nas reflexões sobre música e filosofia postas na boca ou no pensamento de dois ou três personagens.

Maria Luzia Pacheco
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

24 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Como carne em pedra quente" de Ana Sofia Fonseca


É uma narrativa densa em que a protagonista faz passar perante o leitor o filme da sua vida com os episódios mais marcantes - contados num curto espaço de tempo o último que tem de vida - é uma espécie de diário mas com um destinatário especial - a filha, que desconhece o estado de saúde da mãe.
Linguagem cuidada e palavras soltas que contêm sentido completo e uma enorme carga emocional.

Irene Cardona
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

23 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Demência" de Célia Correia Lourenço


Pleno de Humanidade e verdade, este livro encara, de forma, muito sensível, uma situação que aflige embora de modo muito encoberto uma situação que, é frequente na sociedade portuguesa tanto nas cidades como no interior, mina os pilares da família e fomenta a intolerância entre o seus membros.
Só a deficiente revisão do texto evita a nota máxima.

Francisco Gomes
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)

22 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Travessa d´Abençoada" de João Bouza da Costa


Mais um exemplo de obra de muita valia humana, com muita riqueza descritiva, na verdade com personagens que quase nos tocam directamente, reconhecendo nelas muito do que conhecemos (ou adivinhamos) à nossa volta, de gente que palpita perto de nós e (tantas!) com que nos identificamos frequentemente, de pessoas e não meras figuras literárias...
Prosa escorreita e muito boa, pois.

Francisco Adolfo Gomes
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras) 

21 de janeiro de 2013

Opinião sobre "Alma rebelde" de Carla M. Soares


O romance tem um estilo narrativo muito linear, com descrições simplificadas e enredo previsível.
A classificação que decidi atribuir deve-se ao facto do romance me parecer adequado para uma público juvenil.

Graça Patrão
(Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Oeiras)